Caixa em crise

Foto: USP Imagens

Sabe aquele período de limitação financeira no qual você limpa o cofre, procura moedas em bolsas e casacos no armário, cobra (ou pelo menos tenta) parente ou um antigo cliente que, em outros tempos, te deu um calote? Pois bem, acho que a Caixa Econômica Federal está passando por esta situação tão comum a nós, pobres mortais.

As notícias dos últimos meses me despertaram esta dúvida (ou uma quase certeza) de que a Caixa está mais falida do que posso imaginar. O início do processo de retomada dos imóveis do programa Minha Casa, Minha Vida de contemplados inadimplentes me assustou. Não que eu defenda caloteiros e não leve em consideração as prestações baixas, mas espero que haja um bom senso de analisar caso por caso, pois as pessoas que foram beneficiadas com o programa estão sendo demitidas, não está fácil para ninguém.

Depois vem a suspensão do programa Minha Casa Melhor, aquele que dava crédito para a compra de móveis, eletrodomésticos etc., para equipar o imóvel do Minha Casa, Minha Vida. Na sequência sai a denúncia de que a Caixa estava liberando a abertura de Casas Lotéricas sem licitação. Personifiquei a Caixa e a imaginei catando moedinhas de várias fontes para tapar os buracos já que, de grão em grão, a galinha enche o papo.

Mas o que pegou mesmo para todo o mercado imobiliário e principalmente para quem sonha com o seus metros quadrados foi o aumento, pela terceira vez no ano, das taxas de juros para os não clientes da Caixa que querem obter o financiamento imobiliário.

Para o advogado Arnon Velmovitsky, presidente da Comissão de Direito Imobiliário do IAB (Instituto dos Advogados Brasileiros) o aumento inibe a concessão de novos empréstimos e traz consequências ainda mais negativas para toda a cadeia produtiva – ocorre a diminuição de unidades vendidas. “O aumento não encontra respaldo fático e lógico, já que os fundos captados pela Caixa do FGTS, de forma compulsória, não sofreram qualquer elevação de custo das taxas pagas aos trabalhadores. Nessas circunstâncias, a revisão das taxas de financiamentos é irracional, e está na contramão da lógica”, afirma. Ele também acredita que a Caixa está com um rombo e está fazendo da carteira imobiliária um tapa buraco.

A assessoria de imprensa da Caixa informa que os aumentos iniciados a partir do dia 1º de outubro para financiamentos de imóveis pelos recursos da poupança forão dados em função do aumento das taxas de juros básicos.

Como assim? O advogado Velmovitsky explica: “A remuneração dos depósitos das cadernetas de poupança não sofreu qualquer mudança da legislação vigente e, portanto, continua a proporcionar o menor rendimento de investimento do mercado. Assim, inconsistente o motivo usado pela Caixa para reajustar, pela terceira vez, no ano as taxas de juros cobrados”.

Celso Petrucci, economista-chefe do Secovi-SP , não acredita que a Caixa esteja falida, mas defende que o aumento da taxa  se faz necessário para o equilíbrio das contas do banco, embora seja prejudicial ao mercado imobiliário.

Estou de olho e receio que qualquer investigação na Caixa traga rombos estratosféricos como os da Petrobras. Cresci com minha santa mãezinha falando: abra uma conta na Caixa, pois este banco nunca vai falir. Assim espero.

 

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