Cenário “cabuloso”

Foto: Ariana Assumpção

Terça-feira, dia 26, a Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança) apresentou um balanço do mercado imobiliário de 2015 e as expectativas para 2016. Traduzindo o “economês” que vocês facilmente poderão ler dando uma busca nas notícias que divulgaram a entrevista coletiva, a situação é a seguinte:

Para quem quer comprar um imóvel na planta, com financiamento bancário, é bom saber que as taxas de juros estão altas, e assim continuarão em 2016. As construtoras, devido às baixas vendas, estão lançando menos empreendimentos em São Paulo, o que pode fazer a oferta ficar abaixo da procura, com menos opções. Se sua intenção é comprar um imóvel como investimento, saiba que os preços tendem a cair, não uma grande queda, mas uma adequação de mercado, pois os imóveis estavam supervalorizados.

O mercado de imóveis usados é uma boa opção para quem tem dinheiro na mão. Nessa categoria as vendas não estão lá grandes coisas e está fácil negociar. Mas se a opção for por financiamento bancário, além das altas taxas de juros, tenha uma boa entrada, pois a média de financiamento é de 50% do valor total.

Não estou aqui querendo inibir ninguém de buscar a realização do sonho da casa própria. Há sim, possibilidades de fazer um bom negócio, mas desde que se abasteça de muita informação e não caia em roubadas, pois a frustração de um distrato pode fazer com que você desista para sempre da compra de um imóvel. A principal “pegadinha”: você entra em um estande de lançamento imobiliário e, segundo o corretor, você pode tudo. Dá entrada, paga comissões dos vendedores e começa com suaves parcelas até a conclusão da obra. Daí partirá para o financiamento bancário. As exigências dos bancos são bem maiores do que as das imobiliárias, sua renda não corresponde e vem o tal do distrato, que na maioria das vezes, tem descontos de taxas administrativas e de publicidades que terá de arcar e, portanto, perdeu dinheiro, ganhou frustração.

Agora se você compra na planta, paga o período da obra e, na hora de receber as chaves, descobre que o valor do imóvel ficou inferior ao que prometeram na venda que valeria, é bom fazer bem os cálculos para também não perder dinheiro em distrato, que é penoso, burocrático e o ressarcimento demorado. Ambas situações não são saudáveis para o mercado que envolve milhares de profissionais. A construção civil parando, o Brasil também para.

Buscando uma luz no fim do túnel, vale informar, que o presidente da Abecip, Gilberto Duarte de Abreu Filho, disse que tem muito dinheiro disponível para o financiamento imobiliário. O que impede desse valioso recurso estar nas mãos dos pobres mortais, são as altas taxas de juros e o medo do calote, daí justifica as exigências dos bancos.

Abreu Filho, que acaba de assumir a presidência da entidade, no auge dos seus 42 anos, o mais jovem presidente da história da Abecip, está com fôlego para tornar as concessões de crédito mais rápidas e seguras. Sob sua liderança, seus dirigentes estão trabalhando em processos que podem ajudar a aumentar a segurança jurídica, facilitar os financiamentos, a utilização de outras fontes de recursos financeiros e, ainda, conversar com o Governo Federal para cobrar medidas econômicas e políticas que possibilitem a recuperação da confiança e a retomada do crescimento no setor. Mas para esse último item, eles ainda não conseguiram uma hora na agenda do pessoal de Brasília. Vamos acompanhar.

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