Direto com o corretor

Foto: Rafael Neddermeyer

 

Um acordo entre a Caixa Econômica Federal e o Conselho Federal de Corretores de Imóveis (Cofeci) – entidade que congrega todos os Crecis (Conselho Regional de Corretores de Imóveis) – poderá facilitar a compra de um imóvel usado. Isso porque os corretores credenciados poderão agenciar as vendas das residências de quem comprou, não pagou e teve o bem tomado pela Caixa. O presidente da Caixa, Gilberto Occhi, acredita que com esta parceria o banco se livrará de unidades que só oneram a instituição com pagamento de IPTU e condomínio.

Os imóveis retomados pela Caixa sempre foram vendidos por meio de licitação. As pessoas eram convocadas para a audiência, que normalmente ocorria na sede do Creci em São Paulo. Contudo, este modelo de venda sempre foi pouco conhecido da população, o que resultava em baixas aquisições. “Normalmente quem participava eram os próprios corretores com a procuração de algum cliente investidor”, explica o presidente do Creci-SP, José Augusto Viana Neto.

Viana Neto está feliz com a parceria, porém, ressalva que o acordo ainda precisa ser formalizado com regras, visto que a Caixa é um banco público e, seja qual for a modalidade da venda, não pode ferir princípios legais de um ente estatal. “Vale destacar que 80% desses imóveis retomados pela Caixa estão ocupados e quem estiver morando nele terá prioridade na compra”, diz.

O advogado Bence Pál Deak, especializado em leilões de imóveis, aconselha o comprador a ficar muito atento nas regras do negócio entre Caixa e Creci. “Os imóveis ocupados, na maioria das vezes, causam grandes aborrecimentos para quem os compra”, diz. Segundo ele, isso acontece muito em leilões e somente com decisões judiciais que se consegue a desocupação.

O presidente do Creci acredita que com o contrato de compra e venda será mais fácil, mas Pál Deak pede cautela dos compradores. “Se for um investidor, que não está em busca de um apartamento para morar, o negócio pode ser muito vantajoso, pois os imóveis estarão com valores abaixo do mercado. É bom ver também se a Caixa arcará com as dívidas de IPTU e condomínio até a data da compra”, adverte o advogado.

Segundo o presidente da Caixa, esses imóveis contarão com financiamento do banco, mas ainda não se sabe se terá uma modalidade específica para isso. Hoje, o limite de financiamento para unidades usadas é de 70% do valor total.

Com o mercado em baixa movimentação de compra e venda, a parceria pode beneficiar quem quer sair do aluguel e mudar para um apartamento pronto, mas vale ficar atento para as regras do jogo, pois o imóvel a ser adquirido foi tomado de alguém que, sabe-se lá por que, não pôde pagar.

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